Umbanda: Texto: Apresentação: Preta-Velhas
 


Preta-Velhas
Vovó Maria Redonda

Principio de 1750, mais um Navio Negreiro aporta no Cais do Valongo, hoje Porto da Imperatriz no Rio de Janeiro.

Entre os escravos que ali começavam seus martírios descia Amori uma menina de sete anos agarrada a seu irmão Bukola de dez anos, uma mistura de medo do desconhecido e de se perder do irmão a deixava em pânico, mas nada poderia evitar o que estava para acontecer.

Depois de lavados foram levados a uma Praça Pública e como num lei-lão foram vendidos, Amori foi vendida para a Fazenda Santa Fé de pro-priedade do Senhor Jerônimo e sua esposa Zélia.

Bukola foi vendido para a Fazenda Boa União, Amori e Bukola chora-vam desesperados mas nada puderam fazer, foram arrastados cada um para sua sina.

Amori e mais quatro Negros foram comprados naquele dia, Senhor Je-rônimo gostava de levar escravas jovens, pois eram mais férteis com mais tempo de reprodução.

Chegando a Fazenda Santa Fé antes mesmo de irem para a Senzala fo-ram alimentados e batizados com nomes Católicos, Amori passou a ser Maria.

As negras tinham um acordo com seus Orixás elas pediam proteção aos seus filhos que foram tirados de seus braços, em contra partida as crianças que ali chegavam todas as negras as tratavam como se suas mães fossem.

Assim Maria cresceu trabalhando na Casa Grande ou na colheita da Cana.

Na Casa Grande, entre todas as iguarias, adorou os doces, o que com o tempo a fez adquirir diabetes e colheu o efeito da doença na velhi-ce.

Aos treze anos ficou grávida e pouco depois deu a luz a forte menino mulato, mas nunca souberam quem era o pai, pois Maria nunca reve-lou.

Houve boato que o Senhor, dono das terras sempre era o primeiro de todas as jovens escravas, talvez esse fosse o motivo de ninguém saber quem era o verdadeiro pai.

Maria agora vivia feliz, tinha um motivo na sua vida para continuar a lutar, cuidava com muito amor de Agostinho, o menino era muito es-perto e se desenvolvia com muita rapidez, Maria agora já cuidava da cozinha, sua habilidade na Gastronomia era fora do normal, uma ver-dadeira cozinheira.

Um dia após o almoço foi chamada lá fora por Eugênia uma jovem ne-gra de aproximadamente vinte anos, em seu rosto o desespero era aparente, e Maria perguntou o que houve, Eugênia lhe contou que Agostinho e mais três escravos tinham sido vendidos para a Fazenda Águas Limpas.

Maria saiu correndo mas só pode ver a carroça sumir numa curva da montanha, desesperada procurou o patrão, que nem quis recebê-la.

Desnorteada voltou para a Senzala e de lá não saiu por dois dias, no terceiro dia foi tirada a mando do patrão e chicoteada, para servir de exemplo aos demais.

Depois disso nunca mais trabalhou na cozinha, pois os patrões tinham medo dela envenenar a comida, foi trabalhar no estoque dos grãos, por que devido a seu peso não aguentava a lida no campo.

Aos 22 anos engravidou novamente e dessa vez teve uma menina mu-lata, a qual deu o nome de Luzia.

Através de mironga tirou sua fertilidade com medo de sofrer nova-mente, o que a engordou mais ainda.

Nunca teve um namorado, não queria se apegar a ninguém tinha me-do da separação.

Cuidou de Luzia até os sete anos, quando foi vendida para a Fazenda Pocinho.

Já bem gorda e com começo de trombose em suas pernas, Maria não dava conta dos afazeres, mesmo não sendo muito velha lhe foi autori-zado por dona Zélia a construção de uma choupana para ela poder vi-ver sem ter que voltar a senzala, negras mirongueiras a ajudavam ensi-nando chás e infusões para a melhoria das suas pernas.

Durante o dia ajudava como podia do estoque dos grãos e a tarde era vista sentada do lado de fora da choupana num toco rodeada das cri-anças.

E assim ficou conhecida como Vó Maria Redonda, pouco antes do seu desenlace foi visitada por Bukola em sonho, ele estava todo de bran-co com um sorriso largo dizia a irmã, “venha minha irmã nossa missão acabou.

Dias depois a porta da choupana não se abriu, quando a encontraram estava morta com um sorriso no rosto.

Hoje trabalha na Umbanda na Linha das Almas sob a Benção de Ma-mãe Nanã, auxiliando os que necessitam do seu Amor.

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