Umbanda: Texto Explicativo: Sabedoria de Umbanda
 


Sabedoria de Umbanda

Podemos observar que as pessoas que procuram a Umbanda o fazem, em sua maioria, para resolverem problemas de ordem material, exi-gindo um resultado imediato,e quando não encontram creditam no Terreiro ou ao Dirigente e Médiuns, quando não a própria Umbanda, o motivo do seu fracasso.

Por que isso acontece?

Acreditamos que a culpa disso seja dos próprios umbandistas que não esclarecem que a Umbanda é uma religião digna e nobre como todas as outras, se omitem ou são os primeiros a dar “oferendas” para obterem favores materiais das Entidades.

Por outro lado, sabemos que a Umbanda lida com vários elementos e uma variedade enorme de espíritos, e também que ela tem a capaci-dade de penetração nos mais variados campos do Astral, conse-quentemente, havendo merecimento e empenho, muitos problemas acabam realmente por ter uma “solução mais rápida”, mas somente aos que merecem e o fazem por merecer.

Qual é o mistério da Umbanda?

Amor e Caridade, pura e simplesmente.

A ritualística que cada terreiro de Umbanda segue, somente serve como um leque de possibilidades para os diversos anseios de culto de cada um.

Na verdade, quem procura um Terreiro de Umbanda deveria apenas se preocupar se ela é séria, se não cobra consultas e trabalhos e se tem como objetivo principal a caridade e o Amor ao próximo.

Essa é a verdadeira Umbanda.

Sabendo que temos por obrigação sempre buscar o “por que” das coi-sas e não ficarmos satisfeitos com repostas do tipo “isso é assim por-que é” ou “isso é um mistério da fé”, vamos aqui tentar elucidar al-gumas dúvidas que encontramos por parte da maioria dos frequenta-dores e alguns médiuns de Umbanda.

Serão perguntas e respostas que escutamos frequentemente nos ter-reiros ou fora deles.

Não julguem a qualidade das perguntas, porque se pra você a pergun-ta é simples ou boba, para outro poderá não ser.

As respostas sim são simples porque
assim é a Umbanda
Então vamos lá
1. Pode uma pessoa praticar
o mal sob influencia de espíritos?

Sim pode, tanto quanto pode praticar o bem, também influenciada pelos espíritos.

Mas estejam certos de que para que as influencias negativas ou posi-tivas atuem em nossas vidas devemos estar sintonizados com tais vi-brações.

Portanto orai e vigiai.

Você tem seu livre arbítrio e é o único responsável pelas companhias que atrair, tanto carnais como espirituais, e que permitir atuar em sua vida.

2. Todos somos médiuns?

Todos nós somos sensitivos, mas alguns em um grau mais elevado que o outro.

Esses diferentes níveis de sensibilidade podem ser compreendidos com diversas formas de mediunidade que está liga a missão que o in-dividuo tem aqui na terra.

Alguns são médiuns de incorporação, outros intuitivos, videntes, audi-entes, de efeitos físicos, de psicofonia e de psicografia, todos passí-veis de desenvolvimento de acordo com o livre arbítrio de cada um.

3. O Médium quando está incorporado
sabe tudo o que está acontecendo
e o que a pessoa está falando
com a Entidade?

Normalmente sim.

A grande maioria dos médiuns é consciente ou semiconsciente como falam, ou seja sabem o que está acontecendo mas não tem ingerên-cia sobre as atitudes da entidade.

Normalmente logo após a consulta o médium ainda lembra de alguma coisa, que vem como “flash”, mas logo depois vão esquecendo aos poucos.

Somente médiuns inconscientes é que não sabem o que se passou durante uma consulta, mas é muito raro este tipo de mediunidade.

Mas se a sua preocupação é se você pode conversar qualquer assunto com a entidade que o médium não vai contar pra ninguém, isso aí dependerá da índole do médium e da Casa que ele trabalhe, mas não se preocupe, pois o princípio básico de uma casa de Umbanda séria é o sigilo em respeito às consultas e o respeito com os problemas de ca-da um.

4. Se uma pessoa tem que
 trabalhar mediunicamente e se
a mesma não entrar para
um Centro ela poderá receber
um guia ou entidades na
rua, em casa, no trabalho
ou em outro lugar?

Não.

Uma Entidade Guia ou Protetora “de Luz” não irá de forma alguma expor a pessoa ao ridículo ou a situações constrangedoras incorporan-do em lugares públicos.

O fato é que se a pessoa é médium, e tem como missão trabalhar me-diunicamente e opta por não desenvolver sua mediunidade isso não faz com que ela deixe de ser médium.

O que acontece é que sua mediunidade ficará embrutecida e desam-parada expondo a ação de espíritos trevosos que poderão, esses sim, manifestarem em locais públicos colocando a pessoa em situações embaraçosas e de risco.

A Umbanda ou outra religião qualquer serve para nosso crescimento moral e espiritual e como um elo de religação com Deus, frequentar ou participar ativamente de uma deve ser uma opção particular de cada um e não uma imposição.

Devemos saber que pelo fato de termos uma mediunidade mais aflo-rada nos torna imãs, atraindo toda e qualquer energia que estiver nos ambientes aos quais frequentarmos, o desenvolvimento dessa medi-unidade, se faz necessário para aprendermos a lidar com essas ener-gias e controlar as manifestações e termos a oportunidade através do trabalho mediúnico de resgatarmos nossos kármas e compromissos as-sumidos antes de reencarnarmos.

Negar e fugir disso não nos levará a nada, é claro que existem outras formas de praticarmos a Caridade, trabalhar mediunicamente deve ser uma opção e não uma imposição.

Cada um com seu Kárma, missão e vontade.

5. É verdade que a pessoa que entra
para trabalhar na Umbanda não
pode mais sair, porque atrasa a vida?

Não, não é verdade.

Como também não é verdade que a vida da pessoa em questão vai pra frente se ela entrar para a Umbanda.

O que ocorre é que ao entrar para a corrente de um terreiro de Um-banda a pessoa passa a dar vazão e a desenvolver sua mediunidade, assume compromissos e responsabilidades, se tranquiliza e se harmo-niza vibracionalmente e evolutivamente, ou pelo menos deveria.

O “atraso na vida” da pessoa ocorre porque ela deixa de se equili-brar, evoluir e fazer caridade.

Conseguintemente ela deixa de ter tranquilidade para resolver até o mais simples dos problemas.

Mas isso ocorre porque a pessoa saiu do Terreiro, mas não deixou de ser médium e continua recebendo influência do Astral.

E se ela não continuar com suas responsabilidades em ter uma vida regrada, de conduta ilibada e não praticar a caridade de alguma for-ma, receberá maior influencia do Astral inferior, segundo a Lei das afinidades.

Que fique bem claro que não é o ingresso da pessoa ou a sua perma-nência na Umbanda, ou qualquer outra religião, que fará com que a vida da pessoa “ande pra frente” ou que todos os problemas dela se resolverão.

Temos que ter a consciência de que é a sua conduta moral, seu dese-jo de praticar a caridade, de ajudar ao próximo, de buscar sua evolu-ção é que será determinante se ela vai melhorar ou não, é uma ques-tão de merecimento pessoal.

A Umbanda através de um Terreiro sério lhe dará a oportunidade, o conhecimento e o meio, cabe a pessoa abraçar ou não.

6. É, mas uma vez eu ouvi um médium
dizer que se ele abandonasse as
entidades o castigariam? Isso é verdade?

Não, a entidade não faria isso.

Certamente era o médium que em suas limitações de conhecimento entendia assim.

Na verdade o que muito provavelmente aconteceria, se fosse em um Terreiro sério e com entidades sérias, a Entidade faria era aconselhar e alertar o médium quanto ao perigo que ele estaria sujeito ao aban-donar a Umbanda ou seu compromisso mediúnico.

Entidade Protetora ou Guia, não bate ou castiga seu médium, ela res-peita a sua opção e o livre arbítrio que lhe foi outorgado por Deus.

Ele não tem ingerência sobre isso.

Como dito anteriormente, o médium ao se afastar do seu compromis-so mediúnico ou do terreiro, não deixa de ser médium por isso, de acordo com o que faça da sua vida a partir daí é o que vai justificar sua nova condição, se fizer coisas boas continuará recebendo boas influências, mas se levar uma vida desregrada receberá influências negativas ou ruins.

A Umbanda, tão pouco seus guias e protetores, não têm função de nos punir e sim de orientar e amparar.

7. O que é um “Guia de frente”?

É a entidade que Chefia a coroa do médium, é representante direto de seu Orixá Regente.

É responsável em comandar todas as entidades e guias que trabalhem na coroa do médium ela traz as orientações e ordens diretas do Orixá Regente.

São também conhecidas como mentores.

Em alguns terreiros pode ser também um Preto-velho ou um Caboclo.

8. Pode duas ou mais pessoas
receber entidades com o mesmo nome

Certamente que sim.

Aliás isso é bastante comum de acontecer da mesma maneira que en-contramos pessoas com o mesmo nome.

Podemos observar várias entidades se identificando como: Caboclo Rompe Mato, por exemplo, isso não quer dizer que é a mesma enti-dade ou o mesmo espírito, e sim entidades que trabalham em um mesmo campo vibracional.

Na verdade se paramos para pensar realmente, o nome é o que me-nos deve importar, mas sim o grau de comprometimento com a cari-dade.

9. Como é o desenvolvimento de
um médium Umbandista?

Embora esta questão seja bastante específica e a resposta varie de terreiro para terreiro, como a maioria das questões sobre ritualística e fundamentos, vejamos alguns pontos que devem ser observados.

a) É fundamental uma avaliação minuciosa do médium com relação a Umbanda e suas próprias aspirações.

É de suma importância que ele esteja certo de que é isso que deseja para si e para sua vida, que entenda que a Umbanda é uma religião que o ajudará na sua evolução através da Caridade e não é para re-solver seus problemas.

b) A casa que ele escolher para realizar este empreendimento deve estar o mais próximo do que ele acredite, entenda e queira para si.

É fundamental que seja uma casa séria e comprometida com a cari-dade, ou seja, que seja realmente de Umbanda.

c) As diferentes ritualísticas da Umbanda servem exatamente para atender as diversas aspirações.

Por isso antes de qualquer coisa ele deve frequentar a assistência as-siduamente, observar, envolver-se e estudar até ter certeza que ali é o seu lugar.

d) Cada casa tem um critério para se fazer parte da corrente, procu-re saber qual é.

Ao entrar para a corrente deverá seguir rigorosamente as orientações do Dirigente e da Entidade chefe ou das pessoas a sua ordem.

e) Entender que não será umbandista dos portões para dentro do ter-reiro, mas sim de coração, corpo e alma.

Deverá dedicar-se, educar-se, doutrinar-se seguindo as orientações recebidas, que sua conduta moral deverá ser constantemente vigia-da.

f) Participar de todas as seções que esteja, abertas aos médiuns no-vos, estudar e se dedicar com afinco, buscando sempre melhorar seus pensamentos, desejos e vontades.

Buscar constantemente a evolução espiritual e moral, para assim po-der preparar o seu corpo e mente para ser um bom instrumento para as Entidades Protetoras e Guias.

Buscar tudo isso irá facilitar a incorporação e o desenvolvimento de sua mediunidade, se entregue de corpo e alma, sem medo.

É essencial lembrar que é um momento de adaptação, onde tanto médium quanto entidade estarão se afinizando.

Não tenha pressa, o tempo que você levará para incorporar, dar pas-ses, dar consultas, só dependerá de você mesmo, de sua dedicação empenho e preparo seguindo as orientações que lhe forem passadas.

10. É verdade que homens que trabalham
com entidadesfemininas são Gays
ou podem se tornar?

Não, não é verdade.

O que determina a preferência sexual de uma pessoa é ela mesma e não a entidade, aliás ninguém tem ingerência sobre este assunto, isso é um pensamento machista e preconceituoso, a Umbanda não coadu-na com pensamentos retrógrados.

Ninguém vira ou se torna homossexual, ou ela é ou não é, isso é uma característica dela e deve ser respeitado o médium é um medianeiro, um aparelho para a espiritualidade trabalhar pela expansão da cari-dade, assim sendo a entidade não interfere na personalidade do mé-dium, senão todos que incorporarem Ogum serão guerreiros, e quem trabalha com todas as linhas sofre de personalidades múltiplas.

Então se for assim mulheres também não podem trabalhar com enti-dades masculinas pois se tornarão lésbicas.

Temos que mudar esta mentalidade e acabar com o preconceito den-tro dos Terreiros.

A Umbanda tem lógica e coerência, o que deve realmente interessar não é a preferência sexual do indivíduo, mas o quanto de caridade e amor a pessoa tem para fazer e dar, o quão dedicado a espiritualida-de ela o é, e o quão envolvido com o astral superior ela esteja.

11. Como funciona a hierarquia dentro
de um terreiro de Umbanda?

Dentro de um terreiro de Umbanda deve existir organização e disci-plina.

E para manter essa organização e disciplina deve existir também um sistema hierárquico.

Alguns Terreiros dividem-se em parte administrativa e espiritual.

A parte administrativa funciona como uma associação normal, com Presidente, Tesoureiro, Secretários e outros cargos que possam vir a serem úteis na composição de seu estatuto.

Já a parte espiritual é comum ser dividida da
seguinte forma
a) Babalorixá e Ialorixá

São os Dirigentes do terreiro, o Sacerdote (Babalorixá) ou a Sacer-dotisa (Ialorixá).

É o responsável espiritual por tudo que acontece nas gírias, antes, durante e depois.

São também chamados de pais e Mães de Santo.

Eles têm a função de cuidar e zelar espiritualmente do Terreiro e dos médiuns, orientar e dirigir os trabalhos abertos e fechados ao públi-co.

São os responsáveis em fazer cumprir as diretrizes estabelecidas pelo astral superior.

b) Pai Pequeno e Mãe Pequena

São as segundas pessoas na hierarquia de um terreiro.

Tem como função auxiliar e substituir quando necessário o Babalorixá e a Ialorixá.

Outras funções específicas variam de terreiro para terreiro.

c) Médiuns de Trabalho

São os médiuns que trabalham incorporados, cujas entidades já dão consulta e já passaram por todos os preceitos do terreiro, que tam-bém variam de Terreiro para Terreiro.

d) Médiuns em Desenvolvimento

São Médiuns que como o nome já diz, estão em desenvolvimento, ain-da não passaram por todos os preceitos da casa.

Em alguns Terreiros ele podem dar passes, já incorporam uma ou ou-tra linha de trabalho, mas não são autorizados a dar consultas.

Estão sendo preparados para tornarem médiuns de Trabalho.

Ajudam no auxílio as entidades incorporadas.

e) Cambonos

São os responsáveis para auxiliar as entidades, esclarecer a assistên-cia quanto as obrigações passadas, coordenar a entrada da assistência nas consultas e passes.

f) Curimbeiro, Tabaqueiro ou Ogã

É a pessoa responsável pela puxada dos pontos cantados e bater ou tocar o atabaque, quando utilizados pelo Terreiro.

Sua função é a de ajudar na evocação das entidades e auxiliar a man-ter a agrégora positiva da Casa durante as seções.

Deixemos bem claro que todas as funções são importantes dentro da organização de um Terreiro e nenhuma é melhor ou pior que a outra, o respeito e a disciplina deve sempre ser elementos básicos da con-vivência entre todos, deve-se tomar muito cuidado com a vaidade e a inveja, sentimentos que devem ser sempre repudiados por todo e qualquer umbandista.

12. O que pode ou não dentro dos
rituais praticados nos Terreiros
serem considerados de Umbanda?

Podemos observar a enorme confusão que as pessoas fazem em rela-ção ao que faz ou não parte dos rituais da Umbanda e o que faz um terreiro serem considerados de Umbanda.

Em primeiro lugar a premissa básica para que se determine que um ter-reiro seja UMBANDA é a caridade que se pratica no local.

Não podemos confundir fundamentos com elementos de rito ou culto.

Em primeiro lugar é fundamental estabelecermos algumas premissas básicas para o perfeito entendimento a respeito da diferenciação do que seja “fundamento” de “elemento de rito”.

Fundamento

É tudo que existe velado ou não, dentro do terreiro que “fundamen-ta” e direciona seus trabalhos.

Estabelece suas linhas de força trabalhada e cultuada, assim como a missão da Casa.

Ou seja, interfere e determina o resultado final dos trabalhos realiza-dos.

É estabelecido pelos Dirigentes espirituais.

Exemplo: Firmezas ou Pontos de Força estabelecidos no Gongá.

Elemento de Rito

É tudo que existe, velado ou não, presente ou não, que não interfere no resultado final dos trabalhos e nem na missão da Casa.

É estabelecido pelo sacerdote.

Entendido isso vejamos então o que determina realmente se um ter-reiro é de Umbanda ou não?

a) Na umbanda o atabaque é elemento de rito, ou seja, a presença ou não do atabaque NÃO interfere no RESULTADO final do trabalho.

A gira pode ficar, e fica mesmo, mais alegre, mais “vibrante”, mas o resultado final é o mesmo.

As entidades incorporam e fazem seu trabalho da mesma maneira.

b) As roupas (saias rodadas, etc.) são elemento de rito, o fato de se-rem brancas é que é fundamento, ou seja, se as mulheres trabalham com “baianas” rodadas ou sem roda, ou de jalecos não interfere no re-sultado final do trabalho.

As roupas coloridas podem ser usadas em giras festivas.

Vai da preferência do sacerdote.

c) Sacrifício de animal não é fundamento e muito menos elemento de rito da umbanda, entretanto é e tem fundamento em outras religi-ões.

Esses simples exemplos servem apenas para ilustrar, pois é tão fácil e simples saber ou detectar se um terreiro é de umbanda ou não.

Há caridade?

Não há cobrança por trabalhos, consultas ou passes?

Não há sacrifício de animais?

Então é Umbanda.

Fácil, não?

O resto, ou quase tudo, é elemento de rito.

13. Qual a necessidade ou a importância
do uso de roupas brancas?

ARoupa Brancausada pelos médiuns nos rituais de Umbanda, deve ser tratada de maneira especial e usada exclusivamente para este fim.

Ela representa a pureza e a simplicidade, além do branco ser uma cor que absorve a vibrações mas não as retém.

14. Qual o objetivo dos banhos de ervas?

Tem ervas que são para descarrego, outras para energização e outras com ambas as funções, outras simplesmente preparatórias para algum tipo de trabalho.

Dependendo da necessidade o médium ou o consulente, tomará seu banho de ervas objetivando sempre uma boa harmonização com as forças da natureza, para a consecução dos objetivos propostos.

Os banhos de ervas necessitam de uma ritualística preparatória e não devem ser tomados indiscriminadamente, só devem ser tomados sob orientação da Entidade ou do Dirigente do Terreiro ou de pessoas a sua ordem, pois sem o conhecimento específico do problema e do objetivo a ser alcançado, o banho pode ter efeito contrário.

Por exemplo se a pessoa tiver agitada demais não deverá tomar ba-nho de ervas Ogum ou Iansã, pois poderá ficar mais agitada ainda.

15. Porque batemos a cabeça no gongá?

O “bater a cabeça” é um gestual que representa humildade e respei-to, é uma ato de oferecimento de seu Ori (coroa), de reverencia e agradecimento à Coroa Regente da Casa e de pedido de benção.

16. E os colares na Umbanda?

Os “colares”, os quais chamamos de “guias”, são utilizados para au-xiliar fixação da vibração do Orixá e tem a função de atração ou prote-ção.

Utilizar ou não, a quantidade de contas e quanto o tipo varia de Ter-reiro para Terreiro conforme a orientação da Entidade Chefe ou do Dirigente.

Mas elas não devem ser compradas, pois devem ser preparadas pela própria pessoa segundo os preceitos de cada casa.

17. Na Umbanda não existe
sacrifícios de animais?

Mas já vi terreiros que praticam esses rituais, então eles não são Ter-reiros de Umbanda?

Não, não são terreiros de Umbanda.

A Umbanda anunciada e fundada como culto pelo Caboclo das 7 En-cruzilhadas não tem a prática de sacrificar animais.

O que precisa ficar bem claro é que Terreiro que pratica sacrifícios de animais, seja para iniciações, descarrego, oferendas ou qualquer outra coisa, não é um Terreiro de Umbanda, mas sim outra forma de culto que não nos cabe discorrer sobre.

18. Porque fazer firmeza para Exus
e Pombas-gira?

Exus e Pombas-gira são nossos guardiões e defensores dos ataques do astral inferior.

Ao fazermos firmeza para eles estamos fornecendo pontos de energi-zação e fixação de energia que visam a facilitar este trabalho.

19. Como é o trabalho de um Exu
e uma Pomba-gira?

Como já vimos Exus e Pombas-gira trabalham para nossa defesa e pro-teção.

Atuam nas regiões umbralinas ou onde sua presença se fizer necessá-ria.

São verdadeiros soldados do astral envolvendo os trabalhos de defesa com sua energia equilibradora.

20. Qual é a importância de uma gira de Exus?

As giras de Exus servem para expurgar, descarregar, encaminhar, lim-peza do terreiro, dos médiuns e de todos os trabalhos de desobsessão do mês.

Servem também para oportunizar a estas entidades maravilhosas, através da incorporação e da consulta, sua evolução e na busca de conselhos de assuntos mais de terra.

Não podemos esquecer que eles é que dão o primeiro combate contra as forças trevosas, são eles que nos defendem, que representam e le-vam as ordens dos enviados de Orixás aos níveis mais baixos da crosta, são eles os executores dos kármas, que limpam, descarregam e atuam como elementos magísticos no desmanche de trabalhos de magia ne-gra.

21. Porque algumas entidades
na Umbanda bebem e fumam?

A Umbanda, seus médiuns, os espíritos que nela trabalham e, em par-ticular, os espíritos que trabalham na linha de Exu são alvos de muitas críticas devido ao uso da bebida alcoólica e do fumo durante seus trabalhos.

Essas críticas baseiam-se no conhecimento, com o qual concordamos plenamente, de que o vício e a mediunidade responsável são incom-patíveis.

Por isso, a Umbanda é comumente associada a espíritos ainda muito apegados à matéria e/ou a médiuns despreparados e de precária es-trutura moral.

É claro que temos entidades que por estarem em um plano ainda pró-ximo ao da terra guardam os vícios de uma encarnação recente, bem como médiuns que se utilizam das entidades para se embriagarem.

Mas isso não é regra, não é porque uma entidade bebe e fuma que ela é um espírito inferior, o fumo e a bebida também fazem parte da ca-racterização da entidade e ajuda na comunicação entre a entidade e consulentes que associando, por exemplo, um Preto-Velho que fuma cachimbo ou um Exu que bebe marafo como legítimos e, portanto, di-gnos de confiança e respeito.

Muita das vezes, mesmo pessoas cultas podem levantar dúvidas quan-to à legitimidade da comunicação mediúnica quando ela não envolve o uso desses instrumentos de caracterização da entidade (nos quais se incluem, também, a mudança de voz ou de postura física do médium, embora esses elementos tenham suas devidas funções, como se explicará melhor em outra oportunidade).

Essa caracterização das entidades é fundamentada em processos cul-turais desenvolvidos desde os tempos antigos e presentes no surgi-mento da Umbanda e facilitam que o médium iniciante reconheça e assimile a personalidade da entidade, permitindo que a entidade se expresse sem maior influência da sua personalidade, já que o médium se torna mais flexível a uma realidade psíquica estranha à sua.

Dentro do conceito elemental, o fumo é uma defumação direcionada, que traz além do vegetal, os quatro elementos básicos (terra, água, ar e fogo) para trabalhos de magia prática.

O Sopro por si só traz efeitos terapêuticos e espirituais muito valo-rosos e eficazes nos trabalhos de cura e limpeza, que somado ao po-der das ervas é potencializado muitas vezes em resultados largamen-te vistos durante os trabalhos de Umbanda.

Já o Álcool é do elemento água, provindo de um vegetal (a cana), que se sustenta na terra, altamente volátil no ar e considerado o “Fogo líquido”, de fácil combustão.

Tanto o Fumo quanto o Álcool são utilizados para desagregar energia negativa, queimar larvas e miasmas astrais, e no caso do Álcool para desinfetar e limpar no externo e no interno já que pode ser ingerido.

O fumo, Tabaco, o álcool são considerados um Elemento de Poder”, usados há milênios pelos povos indígenas, considerado sagrado com larga utilização em seus trabalhos de cura.

Tudo que é sagrado traz o divino e as virtudes para nossas vidas, sem-pre que profanamos algo sagrado atraímos a dor e o vicio.

Assim o mesmo tabaco e o álcool que cura em seu aspecto sagrado também vicia e traz a dor quando utilizado de forma profana.

Fonte: Conceito básico - Texto extraído do Livro “Umbanda - Mitos e Realidades” de Iassã Ayporê Pery

Pub 2016

Se desejar continuar lendo mais Textos
Explicativos sobre Umbanda clique em
Voltar

Se desejar conhecer mais sobre
a Umbanda clique em
Voltar