Camisa Listrada

Recebi do Poeta e amigo Alberto Peyrano em 28/04/2009
 

 

CAMISA LISTRADA

Composição: Assis Valente
Intérprete:
Ademilde Fonseca
(do LP "À la Miranda", 1958)

 


Ademilde Fonseca


Vestiu uma camisa listrada e saiu por aí.
Em vez de tomar chá com torrada ele bebeu parati,
levava um canivete no cinto e um pandeiro na mão
e sorria quando o povo dizia: "sossega leão, sossega leão".

Tirou o seu anel de doutor para não dar o que falar
e saiu dizendo "eu quero mamar,
Mamãe eu quero mamar, mamãe eu quero mamar".
Levava um canivete no cinto e um pandeiro na mão
e sorria quando o povo dizia: "sossega leão, sossega leão".

Levou meu saco de água quente pra fazer chupeta,
rompeu minha cortina de veludo pra fazer uma saia,
abriu o guarda-roupa e arrancou minha combinação
e até do cabo de vassoura ele fez um estandarte
para seu cordão.

Agora que a batucada já vai começando
eu não deixo e não consinto
o meu querido debochar de mim,
porque ele pega as minhas coisas vai dar o que falar,
se fantasia de Antonieta e vai dançar no Bola Preta
até o sol raiar

Vestiu uma camisa listrada e saiu por aí.
Em vez de tomar chá com torrada ele bebeu parati,
levava um canivete no cinto e um pandeiro na mão
e sorria quando o povo dizia: sossega leão, sossega leão

Tirou o seu anel de doutor para não dar o que falar
e saiu dizendo "eu quero mamar...
Mamãe eu quero mamar, mamãe eu quero mamar".
Levava um canivete no cinto e um pandeiro na mão
e sorria quando o povo dizia: "sossega leão, sossega leão".

 


ADEMILDE FONSECA

 

Ademilde Fonseca nasceu em Pirituba, São Gonçalo do Amarante, em 4 de março de 1921.

Suas interpretações a consagraram como a maior intérprete do choro cantado, sendo considerada a "Rainha do choro".

Trabalhou por mais de dez anos na TV Tupi e seus discos renderam mais de meio milhão de cópias.

Além de fazer sucesso em terras nacionais, regravou grandes sucessos in-ternacionais e se apresentou em outros países.

Atualmente ainda faz shows.

Aqui temos Ademilde Fonseca revivendo um velho sucesso de Carmen Mi-randa.

Sua personalidade já há muito está definida.

Ademilde não fez uma imitação de Carmen mas um autêntico trabalho de recriação de seus fabulosos sucessos.

Não teremos assim uma paródia da Pequena Notável, mas, através da arte maravilhosa e personalíssima de Ademilde Fonseca recordaremos melhor a inesquecível e insuperável Carmen Miranda.

 

JOSÉ DE ASSIS VALENTE

 

José de Assis Valente nasceu em Santo Amaro, em 19 de março de 1911.

Foi um compositor brasileiro, levado ao suicídio por dívidas.

Dentre suas composições mais famosas está “Brasil Pandeiro”.

Era filho de José de Assis Valente e D. Maria Esteves Valente.

Segundo relatava, tinha sido roubado aos pais, ainda pequeno, sendo de-pois entregue a uma família Santoamarense, que lhe deu educação, ao tempo em que o iniciou no trabalho, algo extenuante.

Já aos dez anos de idade revelava-se admirador de grandes poetas, como Castro Alves e Guerra Junqueiro, cujos versos declamava, encantando aos que ouviam.

Por essa idade segue com um circo mambembe, até que finalmente radi-cou-se em Salvador, onde faz-se aluno do Liceu de Artes e Ofícios da Bahia, aprendendo também a confeccionar dentaduras.

Em 1927 muda para o Rio, onde se emprega como protético e consegue publicar alguns desenhos.

Na década de 30 compõe seus primeiros sambas, bastante incentivado por Heitor dos Prazeres.

Muitas de suas composições alcançam o sucesso, nas vozes de grandes intérpretes da época, como Carmem Miranda, Orlando Silva, Altamiro Car-rilho e muitos outros.

Sua admiração por Carmem fê-lo até procurar aprender a tocar, pensando que o professor fosse pai adotivo da cantora - o que não procedia.

A paixão não impediu que para ela compusesse várias canções, sempre presentes em seus discos.

Graças a uma dívida cobrada por Elvira Pagã, que lhe cantara alguns su-cessos, junto com a irmã, tenta o suicídio pela primeira vez, cortando os pulsos.

Casou-se, em 23 de dezembro de 1939, com Nadyli da Silva Santos.

Em 1941 (13 de maio) havia tentado o suicídio mais uma vez, saltando do Corcovado – tentativa frustrada por haver a queda sido amortecida pelas árvores.

Em 1942 nasce sua única filha, Nara Nadyli, e separa-se da esposa.

Desesperado com as dívidas, Assis Valente vai ao escritório de direitos autorais, na esperança de conseguir dinheiro.

Ali só consegue um calmante.

Telefona aos empregados, instruindo-os no caso de sua morte, e depois para dois amigos, comunicando sua decisão.

Sentando-se num banco de rua, ingere formicida, deixando no bolso um bilhete à polícia, onde pedia ao também compositor e amigo Ary Barroso que lhe pagasse dois alugueres em atraso.

Morria às seis horas da tarde.

No bilhete, o último "verso": "Vou parar de escrever, pois estou chorando de saudade de todos, e de tudo."

Seu trabalho foi um dos mais profícuos da música, constando que chega-va a compor quase uma canção por dia – muitas delas vendidas a baixos preços para outros, que então figuravam como autores.

Seu primeiro sucesso, ainda de 1932, foi “Tem Francesa no Morro”, canta-do por Aracy Cortes.

Foi autor, também, de peças para o Teatro de revista, como Rei Momo na Guerra, de 1943, em parceria com Freire Júnior.

Após sua morte, foi sendo esquecido, para ser finalmente redescoberto nos anos 60, nas vozes de grandes intérpretes da MPB, como Chico Buarque, Maria Bethânia, Novos Baianos, Elis Regina, Adriana Calcanhoto, etc.

https://br.groups.yahoo.com/group/Doce_Misterio

 

© 2009

Alberto Peyrano

Buenos Aires, Argentina

 
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