Soneto do amor singelo


A lua... Uma saudade... A folha em branco...
Minh'alma andeja sendas do passado...
No peito, um soluçar... Abafo, estanco...
A brisa... O mar... A dor... Quão pesa o fado.

Lembranças, em buquê... E a folha, em branco,
à espera de um tracejo, de um recado?
Mas nem leste no olhar, singelo, franco,
meus versos, de um rimar apaixonado.

Melhor, então, calar a voz magoada,
tua inconstância diz, não sabes nada
dos sonhos que o amor plantou em mim:

viver num lar de conchas, na Ribeira,
ser tua amante, amiga, companheira,
contigo, ser poeta... Até o fim!

Patrícia Neme



 

 
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