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... nos olhos da pequena prostituta,
que mata, com seu corpo, a fome ingente;
no rosto do garoto, em vã labuta:
"Por um real, engraxo, minha gente !"
... no filho do lixão, sempre em disputa
com ratos, um menu pouco exigente;
nas frágeis mãos que o tóxico recruta,
tornando o anjo-menino um delinqüente !
Procura-se uma festa alvissareira,
que tenha na criança brasileira,
razão primeira, a causa mais sutil.
Após quinhentos anos descoberto,
quando há de ter, a infância, um porvir certo,
quando há de ser gentil o chão Brasil ?
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No ano de 2000, fez-se uma grande festa pelos
quinhentos anos de descoberta do Brasil.
Pensando na situação das nossas crianças,
perguntei-me o que estava sendo comemorado;
e procurei uma festa....
Outros quatro anos são passados...
E quantos mais serão necessários, para que todo
pequeno brasileiro seja tratado com ternura,
com dignidade, com cidadania ?
Minha alma sente saudades,
muitas, de um país mais justo e mais fraterno;
de uma infância com direito de sonhar.
Patrícia Neme

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