Noites


Em todo entardecer escuto passos,
na estrada que se achega ao meu portão;
embora haja penumbra, vejo os traços
dos andarilhos... Deus! E quantos são!

Na casa, se assenhoram dos espaços,
percorrem cada palmo do meu chão.
Semblantes - de ventura tão escassos,
contemplam-me... E a dor me envolve, então.

Porque nos olhos meigos dos meus sonhos,
o amor sulcou caminhos tão tristonhos,
onde apenas saudade floresceu!

À noite, em terno rito de agonia,
unidos, sonhos, eu... e a nostalgia...
Ninamos o que nos restou de teu.


Patrícia Neme


 

 
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