Negra


Verde-amarelo o chão que a dor irriga,
quando a chibata ruge, prepotente;
o sangue escorre,
corre...
e a terra,
em reverência à agonia,
pariu Maria.
Não a louvou o murmurar duma cantiga.
Não houve colo a lhe manter o corpo quente.
Assim, sozinha, amarga vida ela percorre,
e alheia à sina,
que não porta regalia,
Maria é alegria.
Guerreira, solidária, alma forte,
batalha até viver a própria morte,
e faz-se renascer a cada dia.
Verde e amarelo...
No chão,
onde o racismo inda perdura,
Maria,
negra,
aposta na ventura.
E mais que um nome santo
ela é a imagem...
da coragem!

(No mês de Maio de Maria, da Mãe...
e de uma Lei que ainda não conseguiu
libertar o sangue negro da humilhação,
um singelo versejar em respeito a uma
das raças-mãe desta Nação.)


Patrícia Neme


 

 
Anterior Próxima Poetas Menu Principal