Loucura


Um relógio,
em marcha austera,
sempre igual no passo a passo,
arrasta ranços de outrora,
exala anseios do agora
e aponta o chão de um amanhã...
que eu nem sei se vale à pena,
se a saudade me avassala,
num consome rotineiro...
Meu Deus,
que de amor me desfaço,
corpo e alma,
por inteiro...

E o relógio,
a passo largo...
sem atraso, sem cansaço,
vai tangendo minha vida
em uníssono compasso,
verdugo dos meus cantares,
demarcando meus sonhares....
Senhor dos Céus, enlouqueço,
no constante da batida,
sempre,
sempre,
repetida,
lembrando o que nunca esqueço:
tão longe daqueles braços,
eu não sou fim... nem começo!

Patrícia Neme


 

 
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