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Pois tanta é a dor errante no meu peito,
a percorrer-me, qual ferida fera...
Que o verso, constrangido, jaz, desfeito...
Sem rima, sem poesia, sem quimera.
Apenas o silêncio, algo sem jeito,
solfeja um acalanto, eu creio, à espera
do renascer do sonho, amor perfeito,
onde a saudade, a luz não encarcera.
E as notas vão soando, ´vagarzinho,
buscando, na tristeza, abrir caminho,
ao pensamento em busca de alegria,
Ao ressurgir dos tons dos meus cantares,
libertos dos reticentes pesares...
Ao sussurrar da luz de um novo dia.
Patrícia Neme

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