Delírio


Pensei, houvera a nuvem da incerteza,
toldado o brilho claro das estrelas;
mas, no rolar da lágrima, a crueza:
é a dor - e dói de um tanto... - a enublecê-las.

É a dor que se mantém no céu acesa,
tal contas de cristal; como não vê-las?
Ou céu é minha dor, numa ardileza
das lágrimas - buscando ser estrelas?

Mas pode haver no céu tamanho inferno,
teu nome são os anjos que murmuram,
quando mais a saudade me lacera?

Ou há de ser, em meu delírio eterno,
o céu, um paraíso onde amarguram
os sonhos, de quem vive em vã espera?


Patrícia Neme


 

 
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