Comunio


Que, hoje, eu comungue do sofrer do nordestino,
a quem a terra nega um prato de comida.
Que eu sinta a dor de quem, na vida, é clandestino,
pois, por um vírus, faz-se gente preterida.

Que eu seja amparo da mulher em desatino,
em prol dos homens sempre usada, consumida;
e dos menores marginais, cujo destino
é morte inglória, cova rasa, alma perdida.

Que hoje eu comungue do universo brasileiro
- tão desprovido do direito verdadeiro -
que eu me transmute em cada irmão sofrido, exangue...

Somente assim, meu Deus, terei merecimento,
(pois do lutar por igualdade não me isento)
de receber em Comunhão Teu corpo e sangue.

Patrícia Neme



 

 
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