Dúvida atroz...


Tens na voz o tom hibernal
Da vacuidade, da ausência,
Optativa,
Definitiva,
Quiçá, do expirar final ?
Teus temores te assombram,
Comungas o nada.
Tanto te transmutas
Mal consigo crer,
Certamente por tua causa
Teve início o meu padecer.
Olhos outrora cintilantes,
Ora embaçados pela ambição
De tuas sombras cruéis,
Fugas fortuitas à razão de ser
No falso brilho
Nos laivos de uma alma soturna
E, ao deambular por veredas diurnas,
Tanto pude rever-te
Que agora custa-me crer:
Quem és afinal,
Luz etérea de meu bem,
Ou plúmbeas nuvens de meu mal ?


José Roberto Abib
Capivari - SP - 11/01/2009

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