Dos meus olhares pela vida


Não adormeço a ousadia
Sob os lençóis do tempo
Nem me aprisiono ao medo
Tenho sempre por rumo e destino
A alvorada em meu olhar

Há sempre em mim uma súplica
Atraindo-me os olhos, os passos
Isso que os homens chamam de risco
Espreita-me o desafio, o desconhecido
Não cedo ao limo da mesmice

Sou de sóis, luas e de lutas
Antes me antecipo, a saber, das flores
Que podem brotar em meus caminhos
Mesmo sob muralhas de espinhos
Aspiro a fragrância da vida

Não submeto meu coração
Aos ditames da busca pela certeza
É de arrepios e estremecimentos
Que a pele também respira
Permito-me a nudez da dúvida

Nada sei de gestos contidos
Solto-me em atitudes e sentidos
Não escondo as digitais
Das portas que vou abrindo
Nem ponho luvas em minhas mãos
Quando elas clamam por carícias...


Fernanda Guimarães

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