Noites de cristais


Hoje a noite chegou solitária.
Não trouxe a Lua. Somente a natural
saudade do passado chegou. Em vão
aguardei pelas estrelas...
Vaguei pelas esquinas vazias, pelos
bares estranhamente silentes...

Onde andavam as ébrias risadas?
O bater alegre dos copos?
O olhar triste das prostitutas?
Por onde andava a vida, que a noite
a ela se curvava, sempre, com doce
e indisfarçável prazer?

Somente encontrei mendigos maltrapilhos,
refugiados na irrealidade dos seus sonhos...
Pobres escravos da tristeza e do abandono,
que, iludidos, esperam pelo milagre quase
impossível do amor.

Minha Copacabana das Noites de Cristais,
por onde andas? Meus doces personagens e
amigos criados na espontaneidade sincera
da madrugada, onde se esconderam?

Lucidez inebriante das palavras trôpegas
que se equilibravam em lábios trêmulos,
entreabertos, para que deixassem escapar,
felizes, o sorriso sincero. Onde encontrá-la?

E eu? Onde estou agora? Sinto que minha
alma por instantes me deixou. Angustiado
meu corpo se contorce em busca da sua
essência. Será que foi buscar almas do meu
passado? Que me traga a do meu amor maior
para que eu possa, finalmente, viver a pureza
desta noite...

Mas, se ela não voltar? O que faço com este
velho corpo cansado e marcado pelas agruras
vividas?

Deixo-o aos pés do Mar para que ele guarde para
sempre, na profundidade do seu peito, uma
pequena lembrança de quem sempre o amou...

Domingos Alicata
Rio de Janeiro - RJ - 01/11/2005




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