Eternidade


Os aplausos silenciaram...
Uma luz incide forte sobre mim e
meu olhar busca, no profundo vazio,
sinais que traduzam este momento...

A ribalta respeitosamente se curva.

No ar ainda paira o perfume suave
da vida e o calor inconfundível dos
amigos e companheiros...

Restos da minha existência ainda se
agarram às frias paredes...

...que nuas cobrem-se de pudor...

As cortinas vagarosamente se fecham
restando apenas o entristecido lamento
do cadenciado deslizar das roldanas.

Contrito aguardo, com um resto de
esperança, um tímido pedido de bis...

O silêncio, no entanto, responde com
eloqüente profundidade. Constrangido
lentamente dispo minha humana vida...

O palco agora jaz vazio. Nele apenas vive
esquecida lágrima.

Uma estranha leveza invade meu corpo.
Sem alternativa, sigo em direção àquela
Luz que se recusa a apagar. Deus?

Inseguro aventuro-me pela eternidade...

Domingos Alicata
Rio de Janeiro - RJ -
08/08/2007




Fundo Musical: Solitary - Ernesto Cortázar
 

 

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