Paixão agreste


Tem o sabor da terra.
Tem o calor do sertão.
Tem a firmeza agreste,
agarra touro com a mão.
Tem um punhal afiado,
que corta qualquer coração.

Na pele tostada da lida,
brota a transpiração.
No balançado da rede,
embala magia e paixão.
No arrastar do chinelo,
tira poeira do chão.

Monta cavalo arisco,
sem pena e sem perdão.
Pega as rédeas e mostra ao bruto,
quem domina a situação.
Assim também fez comigo,
ganhando meu coração.

Eu, arbusto ressequido,
nas caatingas do sertão,
com ele ganhei o viço.
Tive nova brotação.
Era a chuva que faltava,
p'ra regar minha paixão.

Dalinha Catunda
Rio de Janeiro - RJ

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