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Uma pedra no caminho, Havia e eu nem liguei. Feito moleque de rua, Por cima dela pulei. Filha do vento e dos morros, Com arte não escorreguei. Não nasci nas Minas Gerais. Nem tão pouco em Itabira. Minha terra é Ipueiras, Lá pras bandas da Macambira. Sem ligar pros desencontros, Cansei de dançar quadrilha. O mel que adoçou meu leite, Foi feito por jandaíra. Peixe de água doce, Comi de piaba a traíra. Corri de vaca valente, O que aguçou minha ira. Brinquei de virar mãe-d'água, Em meu pequeno torrão. Debruçava e me olhava, Nas águas de um cacimbão. Era a Uiara sonhada, Habitando minha ilusão. Filha do vento e dos morros, Não menos filha da lua. Na madrugada encantada, Na fonte banhei-me nua, E foi assim que nasceu, A minha história e a tua. O banho na madrugada. Passos de dança ao luar. Um cavalheiro... oh, acaso ! Uma dama, o Eros, um par. Clima, química, e encaixe, Uma lenda a se desenhar. Dalinha Catunda Rio de Janeiro - RJ |