NEM SEMPRE...
 
NALDOVELHO


Nem sempre poesia, muitas vezes heresia,

enredo que não pode ser desfeito,

tramas, teias, dramas, grito espremido no peito,

histórias que o tempo fez questão de preservar.

 

Nem sempre são rosas, muitas vezes espinhos,

outras vezes são cortes, fraturas, entorses,

sangue coagulado, cicatrizes que ainda doem,

feridas que o tempo não foi capaz de curar.

 

Nem sempre fragrâncias, muitas vezes odores,

coisas cheirando a mofo, amareladas, apodrecidas,

resto de comida esquecida no forno,

coisas que o tempo não deu conta de dissipar.

 

Nem sempre vitórias, muitas vezes derrotas,

descaminhos, estranhos, sem volta,

andar desequilibrado pela beira do abismo,

escolhas que o tempo deixou você tomar.

 

Nem sempre o poeta que existe em mim agüenta,

muitas vezes ele se ausenta, viaja nas funduras,

macera dores, nostalgias, amarguras

e depois de algum tempo voltar a sonhar.

 


A FORTALEZA!
Roze Alves
 
 
Quando sonha o poeta,
ele não quer lembrar,
que é humano, audaz,
que o não sonhar é dolorido por demais ...
 
Ele limpa, faxina, perfuma
e a alma acaba revigorada,
acaba o bolor, rachaduras, hematomas,
o viço ilumina o Universo de aromas ...
 
Pobre Poeta? Não pode ser!
Teve e tem toda uma vida,
um lago, um rio, um jardim,
um passado pesado, mas seu ...
 
Sonhando ele mostra que vence,
que salta todos os precipícios, e aguarda,
que retorne a dor maldita, fétida, purulenta,
para revivê-la e provar a si mesmo que aguenta ...
 
RJ:  08/04/2009

 

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