Viajante - Beatriz por um triz*

Viaja a alma partida
numa fuga destemida
afastando-se, por certo,
das lembranças de sua vida.

Viaja nas sombras da noite
ou nas asas de um novo dia,
rumo a futuros afetos,
sopros da melancolia.

Viaja sem rumo,
sem nexo,
sem hora marcada,
sem rota determinada.

Com passagem só de ida
sangrando na bagagem a ferida,
na velocidade do medo
mas no compasso da vida

Viaja na transparência
de sua doce demência
sem clemência, carrega a dor
da falta de seu amor

Beatriz por um triz*
São Paulo - SP - 21/03/2006

Andarilho - Jorge Linhaça

Andarilho sem bagagem
veja só o meu destino
na chuva e na estiagem
Hoje velho, já fui menino

Menino fui em teus braços
até que um dia partiste
fugiste dos meus abraços
e de luto assim me vestiste

na bagagem tu levaste
sangrando, meu coração
na demência me deixaste

levaste a minha emoção
hoje não passo de um traste
farrapo humano no chão

Jorge Linhaça
Arandú - SP - 22/03/2006 - 06:43 hs


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